Segundo fontes ouvidas pelo JOTA, o governo vive ‘um momento de incerteza’ na área internacional
A presidente da Petrobras descartou nesta sexta-feira (6/3) reajuste imediato. “Nesse momento, a gente se pergunta qual a tendência (dos preços do petróleo), onde isso vai ficar, se é um spike momentâneo?”, afirmou a executiva durante encontro com analistas em que apresentou o resultado financeiro da empresa para 2025. “Essa pergunta ainda não está respondida”, acrescentou.
Dentro do governo, a avaliação é de que uma cotação próxima de US$ 100 por um período mais longo exigirá reação. Entre investidores, cresce a preocupação com o fornecimento da commodity em meio a um conflito que já dura uma semana e atinge 11 países.
O ministro de Energia do Catar, Saad Al-Kaabi, afirmou em entrevista ao jornal britânico Financial Times temer uma paralisação na produção de energia nos países do Golfo Pérsico em alguns dias. Ele também mencionou a possibilidade de o preço do petróleo chegar a US$ 150.
Nesta sexta-feira, o preço chegou a bater US$ 94,51 na máxima do dia, a cotação mais alta durante uma sessão desde 29 de setembro de 2023, quando atingiu US$ 96,26.
Ao comentar os efeitos do conflito sobre o petróleo, um interlocutor afirmou que as análises apontam para duas direções simultâneas. A primeira é a alta dos preços do petróleo e dos combustíveis, com potencial impacto inflacionário e pressão sobre cadeias produtivas. A segunda envolve os fertilizantes, item que, segundo ele, tem recebido menos atenção do que deveria, embora seja crucial para o Brasil, fortemente dependente de importações. Como mostrou o JOTA, pelo menos 17% das importações de fertilizantes podem ser afetadas diretamente pelo conflito no Oriente Médio.
Ao mesmo tempo, o interlocutor observou que a Petrobras pode se beneficiar da valorização internacional do petróleo, já que o Brasil é um grande exportador do produto. Essas dimensões convivem e ainda exigem análise mais aprofundada por parte das áreas técnicas do governo.
