A Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma da China publicou recentemente regras revisadas para regulamentar os investimentos no exterior. As medidas, que entrarão em vigor em 1º de dezembro, atualizam diretrizes estabelecidas em 2017 e implementam normas mais amplas do Conselho de Estado sobre o tema.
O novo marco regulatório amplia a supervisão do Estado chinês e torna as exigências de prestação de informações mais rigorosas, refletindo um movimento de maior controle sobre o fluxo de capitais transfronteiriços.
Inclusão de Pessoas Físicas e Relatórios Anuais
Uma das principais alterações é a inclusão formal de pessoas físicas residentes na China e de outras organizações no escopo da regulamentação. Anteriormente, a supervisão era focada de forma mais exclusiva em entidades corporativas.
Apesar da mudança, a expectativa é de que investimentos no exterior já realizados por pessoas físicas não precisem de aprovação ou registro retroativo, segundo avaliação de Wang Kaiding, sócio do escritório King & Wood, citada pela imprensa.
Além disso, as novas regras introduzem a obrigação de apresentar relatórios anuais. Os investidores chineses deverão enviar informações detalhadas sobre seus investimentos no exterior até 30 de junho de cada ano.
Limites Financeiros e Prazos de Comunicação
As normas estabelecem novos prazos e critérios para a comunicação prévia de movimentações financeiras significativas:
- Projetos de grande porte: Investidores que planejem projetos com pelo menos US$ 100 milhões em capital chinês, ou que possam afetar relações diplomáticas, deverão informar as atividades preliminares com pelo menos 10 dias úteis de antecedência de etapas importantes, como a assinatura de acordos ou compromissos de investimento.
- Reinvestimentos: O limite anterior de US$ 300 milhões para a comunicação de reinvestimentos não sensíveis, realizados por meio de entidades no exterior controladas por investidores chineses, foi eliminado. Esses aportes, assim como os investimentos de retorno à China, deverão ser informados com pelo menos 20 dias úteis de antecedência em relação à sua implementação.
Segundo a comissão chinesa, essas atualizações respondem a medidas adotadas por alguns países que têm exigido de investidores chineses o fornecimento de tecnologia e dados, ou o desfazimento de participações societárias e ativos.
Responsabilização de Profissionais e Exceções
O sistema de supervisão regulatória passa a incluir também os prestadores de serviços profissionais. Com isso, as autoridades poderão tomar medidas contra empresas que auxiliem conscientemente no descumprimento das regras ou que emitam documentos falsos ou com omissões relevantes.
Alguns canais de investimento continuam dispensados de aprovação, registro e prestação de informações. Entre eles estão o programa de Investidores Institucionais Domésticos Qualificados (QDII), o mecanismo de conexão entre os mercados de ações da China continental e de Hong Kong (Stock Connect) e o programa de Gestão de Patrimônio Transfronteiriça (Cross-Boundary Wealth Management Connect). No entanto, essa isenção deixa de valer caso os investidores obtenham o controle da empresa investida ou adquiram participações societárias ou direitos de voto em múltiplos de 10%.
Impacto Prático
Para empresas, fundadores e executivos que recebem ou estruturam investimentos com capital de origem chinesa, as novas regras exigem maior atenção aos prazos de comunicação e às obrigações de conformidade de seus parceiros. A ampliação da fiscalização sobre pessoas físicas e prestadores de serviços indica um ambiente regulatório mais estruturado e rigoroso para operações transfronteiriças envolvendo a China.
Este conteúdo tem caráter meramente informativo e não constitui aconselhamento jurídico. Para orientação sobre casos concretos, consulte um advogado.